A segunda parcela do 13º salário do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que começa a ser paga hoje, pode chegar menor que a primeira.
Nem todos os beneficiários, porém, vão notar essa redução no valor. A mudança depende da renda de cada aposentado ou pensionista.
Confira a seguir por que a segunda parcela chega diferente, qual desconto está concentrado nela e o que mudou nas regras deste ano.
Por que a segunda parcela chega diferente da primeira
O 13º salário do INSS, chamado de abono anual, é pago em duas parcelas. As duas etapas seguem regras distintas quanto a descontos.
A diferença entre as parcelas se explica pelos seguintes pontos:
- A primeira parcela funciona como um adiantamento e é paga de forma integral
- A primeira etapa corresponde a metade do valor do benefício, sem retenções
- A segunda parcela representa a outra metade do abono anual
- É na segunda etapa que pode aparecer a diferença no valor depositado
Por isso, comparar as duas parcelas pode gerar a impressão de perda. Na verdade, a primeira vem completa justamente por ser um adiantamento, sem qualquer cobrança.
O desconto que está concentrado nesta etapa
A diferença de valor entre as parcelas tem uma causa central. Toda a tributação do 13º é aplicada de uma vez só na segunda etapa.
Sobre o desconto concentrado nesta parcela, vale o seguinte:
- O Imposto de Renda (IR) incide sobre o 13º apenas no segundo pagamento
- A primeira parcela não sofre nenhuma retenção desse imposto
- Pode haver ainda desconto de contribuição previdenciária, quando for o caso
O 13º é tributado de forma separada do benefício mensal. O cálculo do imposto considera apenas o valor do abono, sem somá-lo ao pagamento normal do mês.
Essa concentração explica por que a segunda parcela pode parecer reduzida. O valor não é retirado do segurado, mas direcionado ao recolhimento do imposto devido.
A mudança de 2026 na faixa de isenção do IR
Para este ano, uma alteração nas regras do Imposto de Renda muda esse cenário. A mudança tem efeito direto sobre o valor da segunda parcela.
A alteração nas regras do imposto em 2026 envolve os seguintes pontos:
- A faixa de isenção do Imposto de Renda foi ampliada para R$ 5.000 mensais
- A nova regra está em vigor desde o dia 1º de janeiro deste ano
- A tabela tradicional do imposto não mudou, mas ganhou redutores adicionais
- A mesma regra de isenção e redução se aplica ao 13º salário
Na prática, quem recebe um benefício de até R$ 5.000 deixou de ter o desconto do imposto. Para esse grupo, a segunda parcela tende a chegar igual ou muito próxima da primeira.
A mudança beneficia uma parcela maior de aposentados e pensionistas. A ampliação da faixa de isenção retira do desconto quem antes tinha uma retenção menor.
Como fica o desconto em cada faixa de benefício
O efeito da nova regra muda conforme o valor do benefício. As faixas de renda definem quem tem isenção e quem segue com desconto.
Veja como fica o desconto do imposto em cada faixa:
- Até R$ 5.000 — isenção total, sem desconto do imposto na segunda parcela.
- Entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350 — redução parcial e decrescente do imposto.
- Acima de R$ 7.350 — cálculo integral pela tabela progressiva tradicional.
Na faixa de redução, o desconto diminui conforme a renda se aproxima do piso. Quanto mais perto de R$ 5.000, maior o abatimento aplicado ao imposto devido.
Já quem recebe acima do limite segue a regra tradicional de tributação. Para esse grupo, o cálculo do imposto não conta com a redução prevista nas novas faixas.
Como consultar o valor com o desconto já aplicado
O beneficiário pode verificar o valor exato da parcela antes do depósito. A consulta mostra quanto será creditado, já com o desconto aplicado.

Para consultar o valor da parcela, o segurado deve seguir estes passos:
- Acessar o site do instituto ou o aplicativo Meu INSS (disponível no Android e iOS)
- Entrar na conta pessoal com os dados de acesso do Gov.br
- Procurar pela opção de extrato de pagamento dentro do sistema
- Conferir o valor da parcela e a presença ou não de descontos
O extrato detalha o valor bruto e o que foi retido a título de imposto. Essa visão ajuda o segurado a entender a diferença em relação à primeira parcela.
A orientação é usar apenas os canais oficiais do instituto para a consulta. Esse cuidado evita golpes que costumam circular em períodos de pagamento de benefícios.
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