O Novo Desenrola começa a valer nesta terça-feira e traz mudanças que podem impactar diretamente milhões de pessoas endividadas.
A iniciativa chega em um cenário de alto comprometimento de renda das famílias e busca facilitar a quitação de dívidas. Mas as regras mudaram em relação às edições anteriores — e entender essas diferenças é essencial antes de aderir.
Continue lendo e saiba como funciona.
O que diferencia o Novo Desenrola das versões anteriores
O Desenrola de 2023 alcançou quase 15 milhões de acordos, mas o programa acabou em maio de 2024. A nova edição chega com mudanças estruturais que corrigem limitações identificadas na versão original:
| Característica | Desenrola 2023 | Novo Desenrola 2026 |
| Uso do FGTS | Não permitido | Até 20% do saldo — ou R$ 1.000, o que for maior |
| Desconto máximo | Até 100% para dívidas até R$ 100 (faixa 1) | Até 90% para dívidas de 91 a 360 dias; condições diferenciadas acima de 360 dias |
| Parcelamento máximo | Até 60 meses | Até 150 meses (12,5 anos) |
| Restrição a apostas | Não havia | Bloqueio de 1 ano para apostas via qualquer meio de pagamento |
| FIES incluído | Não | Sim — desconto de até 99% para inscritos no CadÚnico |
| Duração do programa | Mais de 1 ano (com prorrogações) | 90 dias — sem previsão de extensão |
| Acesso | Portal desenrola.gov.br centralizado | Direto nos bancos — sem portal único |
| Dívidas de até R$ 100 | Cancelamento automático previsto | Cancelamento automático mantido |
O parcelamento em até 150 meses é uma novidade absoluta — mas deve ser usado com cautela. Parcelas muito longas significam custo total maior, mesmo com a taxa de 1,99% ao mês. Calcule o custo total antes de aceitar.
Como os descontos progressivos funcionam na prática
Uma das mudanças mais importantes desta edição é a estrutura de descontos progressivos: quanto mais antiga a dívida, maior o percentual de abatimento. Isso beneficia especialmente quem está inadimplente há mais tempo e viu o saldo crescer com juros e multas:
- Dívidas entre 91 e 120 dias de atraso: desconto mínimo de 40% para cartão de crédito rotativo e cheque especial.
- Dívidas com mais de 360 dias de atraso: desconto de até 90% — o máximo previsto no programa para a frente Famílias.
- Dívidas de até R$ 100: devem ser canceladas automaticamente pelos bancos, sem ação do devedor
- Pagamento à vista: desconto adicional de 12% sobre o valor principal para quem quita integralmente no momento da renegociação.
Exemplo do impacto: uma dívida de cartão que começou em R$ 3.000 e cresceu para R$ 12.000 em juros após dois anos de atraso. Com 90% de desconto, o valor a pagar cai para R$ 1.200 — que pode ser parcelado a 1,99% ao mês ou abatido com o FGTS.
Os percentuais exatos de desconto para cada tipo de dívida variam por instituição financeira. A negociação é feita diretamente com o banco — o governo define o piso dos descontos, não o teto.

Como usar o FGTS para quitar dívidas nesta edição
O uso do FGTS é a principal novidade operacional do Novo Desenrola em relação à versão de 2023. O mecanismo é simples, mas tem regras específicas que o diferem de um saque convencional:
- Quem pode usar: trabalhadores com saldo em conta ativa (emprego atual) ou inativa (empregos anteriores). Não é necessário estar empregado para ter direito — contas inativas de demissões anteriores também são elegíveis.
- Quanto pode usar: até 20% do saldo disponível na data de adesão — ou R$ 1.000, prevalecendo o que for maior. O limite é por operação, não por banco.
- Como o dinheiro chega ao banco: a Caixa Econômica Federal transfere o valor diretamente ao banco credor após a autorização do trabalhador. O dinheiro não passa pela conta do titular — eliminando o risco de ser desviado para outros fins.
- Compatibilidade com saque-aniversário: quem aderiu ao saque-aniversário pode ter parte do saldo já bloqueada por antecipações contratadas com bancos. Verifique o saldo disponível no aplicativo do FGTS antes de autorizar o uso no Desenrola.
O uso do FGTS no Desenrola é opcional — não é condição para participar do programa. Quem não tem saldo no fundo ou prefere não usá-lo pode renegociar normalmente.
O que fazer agora para aderir ao programa
Com o programa em vigor desde hoje, o caminho para renegociar é direto e digital. Não há portal centralizado — o acesso é feito pelo banco onde a dívida está registrada:
- Verifique suas dívidas elegíveis: são elegíveis dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem consignação, contratadas até 31 de janeiro de 2026 e inadimplentes entre 90 dias e 2 anos. Consulte o CPF no Serasa ou no SPC para ter o quadro completo.
- Acesse o banco credor: entre no aplicativo ou site do banco onde a dívida está registrada. Informe que quer renegociar pelo Novo Desenrola e solicite as condições disponíveis para o seu CPF.
- Compare antes de aceitar: se tiver dívidas em mais de um banco, receba as propostas de cada um separadamente. O desconto, o prazo e o valor da parcela podem variar — compare o custo total de cada acordo antes de fechar.
- Cumpra a condição das bets: ao aceitar a renegociação, você concorda automaticamente com o bloqueio de apostas online por um ano via qualquer modalidade de pagamento — inclusive após o desbloqueio do CPF, o crédito para bets permanece proibido.
- Golpes em circulação: o programa é gratuito. Qualquer cobrança para “liberar o acesso” ou “agilizar a aprovação” é fraude. Acesse apenas pelos aplicativos oficiais dos bancos ou por domínios .gov.br.
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